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Bilhete Identidade: Aldeia da Luz

 

A Aldeia da Luz fica situada no Distrito de Évora

Situada na margem esquerda do rio Guadiana, a freguesia da Luz tem cerca de 8 km da sua sede de concelho.
A sua história tem origem nos períodos Paleolítico e Neolítico, conforme atestam alguns vestígios arqueológicos, localizados na zona do Castelo Romano da Lousa. Raríssimo exemplar do seu tipo, na Península Ibérica, e somente de afinidades com algumas fortalezas do mesmo tempo, existentes na região do Reno ou no Norte de África, o Castelo da Lousa terá sido construído no século I a.C. e testemunha a ocupação militar da freguesia, durante a época intensa das convulsões sócio-políticas imperiais romanas. De acesso por caminho rural, de difícil movimento automóvel, este castelo foi considerado Imóvel de Interesse Público.
Um outro curioso edifício arquitectónico, orientado ao poente e rodeado da rústica via-sacra de Lousa, que mantém as linhas estruturais dos fundamentos quatrocentistas, é a Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Luz, na qual se destacam formosos portais góticos e capitéis lavrados com folhagem e frutos regionais.
A freguesia da Luz foi um curato da apresentação do arcebispo de Évora e esteve anexada ao concelho de Reguengos de Monsaraz, enquanto durou a supressão do concelho de Mourão, de 12 de Julho de 1895 a 13 de Janeiro de 1898.
Esta freguesia tem como crença de que a Senhora da Luz aparecera em cima do tronco de uma azinheira, no mesmo lugar em que se vê o altar môr da igreja. Apareceu a um velho chamado André- Anes dizendo que divulgasse o seu aparecimento e o desejo de ser venerada naquele mesmo local. Próximo deste local situa-se a fonte dos Milagres, em cujas águas, imensas pessoas têm achado remédio para diversas enfermidades.

Festas e Romarias: Sagrado Coração e N. Sra. de Fátima
Património: Castelo da Lousa e igreja de Nossa Senhora da Luz
Outros Locais: Moinhos dos Cerieiros
Gastronomia: Açorda de alho, migas, açorda de Beldroegas, açorda de peixe do rio e gaspacho
Artesanato: Cestos de verga, cadeiras, canapés e bancos
Colectividades: Sociedade Recreativa Luzense e Associação de Protecção Social à População de Luz
Orago: N. Sra. da Luz

Outro Sítios Arqueológicos descobertos no Concelho/Freguesia.


Concelho de Mourão

Constituído por três freguesias, Granja, Luz e Mourão, o concelho de Mourão está distribuído por uma área de 288 quilómetros quadrados. É delimitado pelos concelhos de Moura, Reguengos de Monsaraz e pela fronteira espanhola. A sua sede, do mesmo nome, encontra-se num pequeno morro, na margem esquerda do rio Guadiana.
Mourão foi povoada em 1226 por Gonçalo Egas, prior da Ordem de S. João de Jerusalém. D. Dinis concedeu à povoação o seu primeiro foral, em 1296. É do seu reinado, também, que data a construção de um forte castelo defensivo, com três torres e torre de menagem posterior, e que procurava sobretudo defender esta parte do território nacional das possíveis investidas dos vizinhos castelhanos. Também por isso, Mourão ocupou sempre lugar de destaque na estratégia militar portuguesa.
Prova da afirmação produzida foi o ataque castelhano a Mourão em 1641, já depois da restauração da nossa independência. As tropas de Filipe IV chegaram a conquistar a praça militar, mas acabaram por cedê-la poucos dias depois.
Em 24 de Outubro de 1855, o concelho de Mourão acabaria por ser extinto, e anexado a Reguengos de Monsaraz, mas viria a ser restaurado em 1861.
Do património edificado do concelho, destaca-se a igreja matriz da freguesia-sede. Construída em 1681, é do estilo barroco regional e de uma só nave. Sofreu grandes prejuízos com o terramoto de 1755, em especial a nível da abóbada e de espólio. Também o castelo merece ser referido, apesar de estar actualmente parcialmente arruinado.
Em "Viagem a Portugal", o nosso mais consagrado escritor, José Saramago, refere-se ao concelho e aos monumentos acima descritos: "O viajante foi pontualmente ao castelo, que integra a igreja matriz, mas um e outro estavam fechados. Mas nem por isso deixou de encontrar belezas: cá estão as chaminés, circulares e de remates cónicos, que quase só aqui se encontram, e as mesmas, mas não monótonas, fachadas caiadas, outra vez mostrando o valor cromático que o branco adquire no jogo da luz incidente ou rasante, na sombra dura ou na penumbra macia dum recanto aonde a luz só chega mil vezes quebrada: tal é possível até mesmo numa tarde violenta como esta. Paisagens assim, isto é o que vai pensando o viajante enquanto continua para o sul, para serem sufocantes, nem precisariam do calor."
Paisagens assim, com efeito, galadas desta forma por uma pena como esta, tornam-se mesmo sufocantes e irresistíveis. Mourão aí está, pronta a receber com hospitalidade todos os que querem ser sufocados por tanta beleza.